Segunda-feira, Julho 28, 2008

Para onde levaste a minha alma?


Não posso pedir que voltes, nem que fiques e me dês colo
Como se eu fosse criança… (contigo sinto-me…)
Não sei do teu rosto, nem da expressão do teu olhar, que eu sinto quente e ternurenta
Não sei da tua pele nem das tuas mãos, que eu queria me desnudassem….
Não sei do teu corpo onde me queria perder para me encontrares num abraço quente…
Não sei do que te faz chorar nem do que te faz rir nem dos afagos que não te dei por medo….
Sei que te bebo para não morrer de sede
Sei apenas que apareces e desapareces e que a tua ausência me esvazia os sentidos…
…e se como nas histórias infantis houvesse uma fada do bem a quem eu pudesse pedir um desejo, eu não hesitaria: pedia-te de volta com a minha alma!!

Recado do tempo




Com os olhos banhados d'água ele suplicava: fica!

Tarde demais...Ela foi embora

Mesmo ofertando tudo e não pedindo nada: Fica!

Tarde demais...Ela foi embora

Mas o tempo sabe bem o que fazer

Deixar a chuva lavar pra escorrer daquela pele

Todo o lodo e febre

Mas o tempo sabe bem como curar

A ferida que insiste em sangrar

Mas vai fechar

E na madrugada fria ela deixa de serc ega e enxerga

Tarde demais...Ele já não a espera

E olhando-se no espelho só resta então o lamento

Meu Deus foi tarde demais

Ele partiu com o tempo

Mas o tempo soube bem o que fazer

Deixou a chuva lavar pra escorrer daquela pele

Todo o lodo e febre

Pois o tempo soube bem como curar

A ferida que nunca mais vai sangrar

Fechada está

E nesse dia então

O mundo pôde perceber que foi tarde demais pra ela se arrepender ....

(Isabella Taviani)

Esta dor...


Dói-me….
Foste embora e senti-me “sozinha” e nem a música preenchia o vazio que deixaste…. Mas é assim, não é? …um dia ias bater a porta e abalar mesmo… então que seja agora…. sem estragos… apenas silêncio! Apenas esta inércia que me deixa embriagada… sem vontades…. as lágrimas amordaçadas …. os gritos mudos e os gesto contidos que buscam a doçura das tuas palavras… o teu bem senso e a ternura com que me envolves…
Sinto-me sem norte, perdida de ti….

Sábado, Março 24, 2007

Querer sem medos...

(imagem da Carla Salgueiro)

Quero o teu corpo, um rio...

Nascente onde mato o desejo...

E me acendo de tesão...

Que me devora em cada beijo...

E onde à noite me perco...

De fome...

De suor...

De afagos...

Para encontrar o dia no teu cansaço primeiro...

E me esvair aí de exaustão!
(...)
Que eu não vim para te apaziguar...Mas para te beber inteiro!
(...)

Quarta-feira, Janeiro 31, 2007

Sede...


...quanto mais te bebo, mais sede tenho de ti.....

Domingo, Janeiro 28, 2007

Contrabandista...




(as fotos são recantos encantados de Serralves)



…no narcotráfico das emoções, eu percorro as vielas mais sombrias, os cantos mais escuros, e conheço cada palmo do traçado das noites mal dormidas entre lençóis frios….

Hoje corpo de sombras onde a chama há muito se apagou, traficante de sentimentos…. na bagagem, ainda, as cores do sorriso que te roubei …e em cada porto esconso, por onde paro e descanso das jornadas, os meus olhos atentam-se a todos os movimentos, mesmo os imperceptíveis e silenciosos, porque comigo, carrego oculto o meu tesouro, aquele que de mim ninguém pode afastar, porque ….sou fera presa em cativeiro, eterna fugitiva de mim e contrabandista de ti!




Fogo...

(a imagem é do Hugo Rangel)

...é urgente..um poema, uma prosa, uma palavra...para o fogo que tudo arrasa e tudo consome!

Sábado, Janeiro 27, 2007

Confesso-me...




Por muito que eu viva, nada apaga toda a estupidez que já cometi na vida….e mesmo que o tempo retornasse atrás, não sei se conseguiria apagar todo o mal …o que me faço…que faço aos outros …ou que te fiz a ti!

São sinais com que o tempo nos marca a ferro e fogo, para que se perceba a falta de inocência em cada acto cometido, em cada frase dita, em cada olhar desperdiçado ….inocência há muito perdida por caminhos escusos, por dores que teimosamente sangram….

…na alma, as garras do sofrimento marcadas bem fundo ….a dor de perder as pessoas que nos fazem falta…(são sempre as que nos fazem mais falta, não é?) …as pessoas de quem gostamos …as pessoas que queríamos ter do lado!

…nos braços, transporto a falta de sensatez para não cometer loucuras... a minha!

…na pele, a corrosão pelos erros que ainda não cometi!

…e nas mãos? Nestas mãos que te afagaram e não souberam guardar…esfumam-se as mágoas e os medos, as dores e os segredos… são mãos vazias de ti, que te magoaram e me magoaram ainda mais…

…na boca, ainda, o sabor de um beijo que a chuva não lavou …o teu!

…nos pulsos, as algemas dos meus erros… dos que cometi vida fora…os de ontem, os de hoje…e dos que vou cometer amanhã…

…erro comigo, errei contigo, erro com a vida.. acho mesmo que é o único verbo que sei conjugar em todos os tempos!

…e quando me olho, e penso no porquê de cometer erros, não sei responder ….sei apenas que a minha vida não vale o esforço de os superar, nem sei sequer se vale a vontade de viver, (porque não há vida no vazio) e porque eu seja, talvez, o maior de todos os erros!


Sábado, Janeiro 13, 2007

Hoje sinto-me....



....Como se houvessem nuvens sobre nuvens...e sobre as nuvnes um mar perfeito...ou se preferires... a tua boca suave...singrando docemente, sobre o meu peito.

(Paul Verlaine)

Sábado, Janeiro 06, 2007

Impetuoso....


Impetuoso, o teu corpo é como um rio
Onde o meu se perde.
Se escuto, só oiço o teu rumor,
De mim, nem o sinal mais breve.
Imagem dos gestos que tracei,
Irrompe puro e completo.
Por isso, rio foi o nome que lhe dei,
E nele o céu fica mais perto.

(Eugénio de Andrade, "As mãos e os frutos")
Porque este "lugar" me lembra de ti.....

Parabéns


Tivesse eu um bolo e champanhe....
Pudesse eu pegar-te na mão e ensinar-te os passos.... que te levariam, por entre estes labirintos a calcorrear vielas de pedra, ao som de um rio que nos abraça e murmura canções....

...Depois, levar-te-ía a jantar, por entre veladas luzes, dois balões de tinto e uns acordes de Eliane ou Nina, para me aprisionares em passos de dança improvisados, num abraço sôfrego, numa mão esquecida, num beijo imaginado, e como o rio, que sempre dolente e envolto em mansas penumbras, nos seus mil reflexos, corre, incensível aos gritos que lhe salpicam as margens de um contínuo frenesim, e nos murmura segredos sempre novos.... com ele e contigo, eu partilharia um beijo e um segredo, e ao ouvido, baixinho e a medo.... dir-te-ía, gosto de ti....

Quarta-feira, Dezembro 13, 2006

Silêncio...



….O silêncio nem sempre cala, e nada consente…

….Por vezes até mente. O silêncio sente. E deixa sentir….

….Regado em lágrimas ou sorrisos, o silêncio acompanha-me por lhe pedir. A qualquer hora, todos os dias. Sem prévio aviso, sem perceber...

….Ele requisita-se e faz-se existir. Preciso que exista para o poder ouvir. Para me poder ouvir….

….O silêncio dá-me o espaço que a vida parece tirar…

….Sozinha acompanha-me….

….Preciso sempre de ti!!!!

O segredo....


.....Está no tempo que guardamos o abraço quente entre o nosso olhar... longe dos cansaços de quem nunca te perdeu!

Quinta-feira, Novembro 30, 2006

Eu não sei quem te perdeu...


.....Cores diferentes de um Porto nunca igual...às vezes, apenas as cores que o vemos quando fechamos os olhos!


Quando veio,
Mostrou-me as mãos vazias,
As mãos como os meus dias,
Tão leves e banais.
E pediu-me
Que lhe levasse o medo,
Eu disse-lhe um segredo:
"Não partas nunca mais".

E dançou,
Rodou no chão molhado,
Num beijo apertado
De barco contra o cais.

E uma asa voa
A cada beijo teu,
Esta noite
Sou dono do céu,
E eu não sei quem te perdeu.

Abraçou-me
Como se abraça o tempo,
A vida num momento
Em gestos nunca iguais.
E parou,
Cantou contra o meu peito,
Num beijo imperfeito
Roubado nos umbrais.

E partiu,
Sem me dizer o nome,
Levando-me o perfume
De tantas noites mais.

Pedro Abrunhosa

Segunda-feira, Novembro 27, 2006

Dá-me cor....



.... só os meus dedos dão voz ao grito que me consome as entranhas e me cala de morte nos lábios... "dá-me cor..."

Domingo, Novembro 26, 2006

Desabafo em fim de tarde



Porque será que me sinto tão profundamente triste com os "factos" que me ocultas?

Será que não mereço um pouco mais?

Se calhar não...... Mas também, quem se rala com os meus "vazios"?

Sexta-feira, Novembro 24, 2006

Perdeu-se.....


Tens razão!

Tá mesmo uma bosta...não adianta...

Olha, se me encontrares por aí, traz-me de volta e entrega-me, por favor....

Agradece-se....recompensas é que nem pensar!

PS: As feras não sabem ser de ninguém, trazem consigo forças de não se sabe onde, e quando gostam... são feras feridas, magoadas, arredias e fugitivas!

Quarta-feira, Novembro 22, 2006

A cor dos dias...



A "minha" estrada encantada hoje levou-me...



...Até estas margens bordejadas de verde, onde o rio ao fundo se espraia preguiçoso...



...e onde os castanhos alaranjados, espreitam a medo pelos verdes outonais...




...e repousa, solitária, a sombra... nas cores do dia!


Um segredo a medo: As cores do meu dia são mais bonitas em todas as estações, porque me basta o "teu olhar".....

Terça-feira, Novembro 21, 2006

Saber-te...





Foi bom....

Trouxe-me paz que não senti quando te senti "fugido", só ainda não tive "tempo" para te detectar o espírito.... Mas há sempre mais cor em cada por-do-sol!

Onde anda ele? E onde andas tu?

Quinta-feira, Novembro 16, 2006

Algures em Barcelona....


...Algures em Barcelona, ainda existem obras de arte como esta, para nos deliciarmos! Assim saibamos ter "olhos"..... e "olhares"

Quarta-feira, Novembro 15, 2006

Estranha forma de vida...




…o amor é sempre uma “estranha forma de vida” que nos escorre dos sentidos e percorre as veias, e o fado…é o seu “destino”!



PS: Para as "violetas" que são prenhes de alma.....

Chuva



...Hoje choveu.... e fui riscada e rasgada de chuva, e fui frio que se me colou na pele, fui cinzenta, perdida….. fui olhar vazio de memórias futuras!

Janela a preto e branco


…És janela a preto e branco por onde vejo um mundo de cor!

Porto seguro


Ler-te …é beber-te sempre em cada palavra…. e saber que não és frio, nem vazio, nem perfeito, nem aberto….. que és trilha, regato, silêncio, abrigo, amanhecer, anoitecer, perto, longe, barco, âncora, tempestade, bonança, luz, sombra, mar, rio, forte, fraco, farol, onda, corpo, alma…. e “porto seguro” da minha metade!

Domingo, Novembro 12, 2006

Uma canção...


Há canções imortais, que revisitamos de quando em quando.....canções que se renovam em si a cada novas versões......

Deixo-te aqui a "cor" desta.....sempre apetecível!

Tu, que me conheces tão bem, por dentro e por fora, à transparência e nos escaninhos das minhas sombras e medos.....tu que me consegues arrancar sorrisos com cor de lágrimas

....Para ti, de quem jamais me consigo esconder....


PS: Agora sim, a versão do Diego el Cigala na voz e do Bebo Valdez ao piano... (uma pérola)

Segunda-feira, Novembro 06, 2006

Espelho infiel


…A tristeza entranhava-se nas tuas palavras, como antes eu nunca sentira!
Escorriam-te na pele…e quase sem alento para dizer mais que o que disseste….. senti-te beijos e segredos…senti-te silêncios… senti-te espelho infiel de alegrias tingidas, de sorrisos rasgados!

Naquele momento….senti-te dor e angústia, grito que morre na garganta, lágrima que teima em rebentar e se sustém a custo….

Senti que fugias, numa corrida louca e sem destino…. Fugias de ti próprio, das emoções e dos afectos….fugias de ti, mas tal como a sombra…… era uma fuga inglória!

Volta…

(escrito algures….numa noite que não teve dia)

PS: este texto encontra-se no blog do Venoi, que escolheu o título.... passem por lá, é em: http://venoi.nireblog.com/

Sábado, Outubro 28, 2006

Metades...


O Chico "roubou-me" as palavras que se apagaram de mim.... tu "roubaste-me" a saudade...

"Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais..."
(Chico Buarque)

Pedaços de mim

…cansada, ausente, triste, vazia, rasgada, sentida, desanimada, perdida, fria, estilhaçada, desfeita, nostálgica …..

Hoje estou alma em estado líquido, solidão em fragmentos, destino "incumprido" de pedaços de mim!

Segunda-feira, Outubro 23, 2006

Vale encantado


Hoje apeteceu-me...
Revisitar Oswaldo é sempre bom, revisitar o "vale encantado" é adormecer a saudade!
"Cachoeiras de hortelã folhas,
rosa por trás águias negras,
cães azuis árvores lilás
ninfas guardam sonhos,
guardiãs imortais
no Vale Encantado
quem sorrir bebe o vinho da paz
Mares de safira e
luz arco-íris no olhar
barco branco que conduz
quem quiser cantar
vaga-lumes amarelos
dançam no ar
no Vale Encantado
quem sorrir
bebe a luz do luar
Ventos de cereja e sons
de risada de irmão
mil estrelas de bombons
frutas de perdão
hálito de oásis,
flor de afago no chão
no Vale Encantado
quem sorrir
pega o céu com a mão"

Shakesbeer

(a foto é cá da je)
Rs, diz lá que foi "inocente" a escolha do amarelo?
Depois de um dia atulhada em trânsito, chuva, e a aturar um "alucinado" já quase consigo conjugar o verbo "curricularizar".....
Queria "despir-me" deste cansaço que se teima em me agarrar.... queria escrever qualquer coisa, mas o único reflexo decente que obtive foi de "lixo"..... (há que saber quando devemos desistir...rss)
...e sabes que mais? Vou mesmo na goiabada com banana, já que não há caracois nem pipis decentes!...
Uma "Shakesbeer" à nossa ?
Cheers....

Domingo, Outubro 22, 2006

Chuva com "la saudade"


…Neste dia riscado de chuva resolvi “vestir-te”….e não é que “te pintei saudade” de amarelo ? Rs

Sábado, Outubro 21, 2006

Matar memórias


Vamos matar memórias e enterrar saudades ?
Vamos saltar o muro, vamos perder o mapa, vamos encurtar distâncias ?
Algures por aí, entre um pub e uma canção, vamos encontrar um espaço "com sentido" ?

Tatuagem


Entre rima e prosa, escolhi-te tatuagem....
Quando entre abraços me desenhaste beijos de fogo com saudades do futuro!

Lá, onde eu fui feliz...


Fomos cúmplices e amantes….
Fomos barco e navegantes!
Fomos noites sem dormir…
Fomos vontade de partir!
Fomos esperas silenciosas…
Fomos mentiras piedosas!
Fomos gritos que se emudeceram…
Em dias que se entardeceram!
Fomos noites e beijos…
Abraços e desejos!
Fomos rio e mar….
Fomos “perder” e “encontrar”

Fui medo de tempestade
Que o teu peito amparou
E o teu abraço aqueceu…
Foste sede do meu corpo
Em noites de saudade
E onde a distância doeu!

E num Abril de memórias,
Lá… onde o mar se diz….
E a terra nos conta histórias,
Lá…. eu fui feliz…

Terça-feira, Outubro 17, 2006

Cântico Negro


Um poema que me toca sempre como as sombras frias e doridas das madrugadas mal dormidas....

"Vem por aqui" --- dizem-me alguns com olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom se eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui"!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
--- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe.
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Por que me repetis: "vem por aqui"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis machados, ferramentas, e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
--- Sei que não vou por aí.
José Régio

Virar de página


Virou costas e saiu sem olhar para trás! Sem carregar lembranças, virou a esquina e partiu rumo ao nada ... Porém, de coração aliviado.

Rasgara muitas páginas de uma vez, e agora, precisava de escrever coisas novas... coisas que ainda não tinha escrito…. Um novo desafio que não sabia como, mas não importava...bastava-lhe simplesmente, uma folha em branco!

....sem cinzas nem chuvas....nem águas frias a fustiguem o rosto...só quer que o sol lhe aqueça a alma ..e que a arrepie a cada amanhecer, e a cada entardecer.... porque há sempre um sol que a toca, em cada olhar que passa por ela!

Segunda-feira, Outubro 16, 2006

Abraço

(Gli Amanti, de Egon Schiele, 1917)

Hoje apeteceu-me desenhar um abraço, com traços fortes e cores vivas, porque me apetecia aquecer-me de ti, da noite fria, do dia com cheiro de chuva, queria o calor da tua alma na maciez da ternura que te acende o olhar…

Hoje queria adormecer do cansaço de guerras que nos desgastam, dos ódios e rancores sem razões aparentes… para acordar no teu colo quente e aconchegante de carícias!

… mas extenuada e exangue, não me restam que silêncios doridos e magoados, silêncios em gritos mudos, que garras invisíveis estrangulam, sufocando lentamente…. silêncios que me amarram as entranhas e me deixam estática de vida….

Hoje morro um pouco mais, de ti e de mim, de nós… da vida que nos passa….

…e mergulho no abismo, na ânsia de me embriagar, revisito Schiele ao som de um tango, e ando sem destino e sem mapa, pelas ruas sem nome desta cidade sem gente, onde as lágrimas se fundem com a chuva que cai, para desenhar o lugar vazio do abraço que nos falta…

Ensinamentos

(Para um mestre outro mestre...a imagem é de Leonardo, o Da Vinci)

... Ahhhh como eu gostaria de ter escrito um texto tão belo e tão simples!...Mas não, tinha de ter sido o Shakespeare, mas ele aqui fica, com a devida vénia!

"- Depois de algum tempo aprendes a diferença, a subtil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma.

- E aprendes que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança.

- E começas a aprender que beijos não são contratos, e presentes não são promessas. (...)

- E não importa o quão boa seja uma pessoa, ela vai ferir-te de vez em quando e precisas perdoá-la por isso.

- Aprendes que falar pode aliviar dores emocionais.

- Descobres que se leva anos para se construir confiança e apenas segundos para destrui-la, e que podes fazer coisas num instante, das quais te arrependerás pelo resto da vida.

- Aprendes que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias.

- E o que importa não é o que tu tens na vida, mas quem tens na vida.(...)

- Descobres que as pessoas com quem mais te importas na vida, são tiradas de ti muito depressa; por isso, sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas; pode ser a última vez que as vemos.

- Aprendes que paciência requer muita prática. (...)

- Aprendes que quando estás com raiva tens o direito de estar com raiva, mas isso não dá o direito de seres cruel.

- Aprendes que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém.Algumas vezes, tens que aprender a perdoar-te a ti mesmo.

- Aprendes que com a mesma severidade com que julgas, tu serás em algum momento, condenado.

- Aprendes que não importa em quantos pedaços teu coração foi partido, o mundo não pára para que o consertes.

- E, finalmente, aprendes que o tempo, não é algo que possa voltar para trás. Portanto, planta o teu jardim e decora a tua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores.

- E percebes que realmente podes suportar... que realmente és forte, e que podes ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais.
....... E que realmente a vida tem valor, e que tu tens valor diante da vida! E só nos faz perder tudo de bom que poderíamos conquistar, o medo de tentar!"

Shakespeare

Sábado, Outubro 14, 2006

Magia

Visto-me…
Dos desejos que não contenho…
Dos segredos que te escondo…
Dos silêncios que te ofereço…
Das tuas mãos silenciosas que me buscam a medo… e que se retraem a cada avanço inseguro!

Desnudo-me…
Das palavras que se soltam…
Dos sonhos que não te pinto….
Das noites brancas de silêncios doridos…
Da doçura que me derramas na pele …… e que me embriagam os sentidos!

…Há quem lhe chame amor, eu só quero chamar-lhe …magia!

Adivinha-me...


…Adivinha-me arrepio, a soltar amarras, a ser barco e maré, ser onda e espuma … escorregar-te na pele, ser a seda fria no teu corpo quente. Pudesse eu dar-te asas…. ser prazer, ardor, arder, atar, fundir, amassar, arrepiar, doer, morder, libertar, soltar.... a vida, o espírito, o corpo...chorar, sofrer, ser desejo e acreditar.. que a tua pele e a minha se misturam num sabor de loucura…tão insana quanto o são estas palavras!

...Sei que vou fazer a mala e esquecer-me dela, e partir apenas embrulhada no teu desejo....

Sexta-feira, Outubro 13, 2006

Um homem doce


O dia amanheceu cinzento…. Morno, abafado, e cinzento chuvoso! Cheira a terra molhada, a gotas nos beirais, na cozinha o cheiro do café e das torradas é uma nota de aconchego… é a promessa de mais um dia mergulhada num livro…mais um dia de férias numa contagem decrescente!

Sabes, existem dias de cores diferentes…uns mais amarelos, outros mais azuis….. pessoalmente, prefiro aqueles com finais de rosa e violeta, que se emaranham lá no horizonte a tocar o mar….. sou capaz de ficar imersa neles, até a noite me envolver…. Mas hoje o dia foi cinzento e rasgado de chuva… săo tantas as cores dos desenhos, e tantos os mundos que temos na măo! Mas hoje năo…definitivamente năo!

Hoje vejo-me parte de um reino cinzento, com uma chuva morna e que se derrama dolente no casario de pedra comida já pelo tempo e pela poluiçăo… e no mar! Hoje o mar veio buscar o rio de uma forma abrupta…com ganas e fúrias… hoje o mar conta histórias tristes de navios e homens, e de viagens sem regressos….. hoje, sentada na esplanada, năo tive a carícia de um sol amaciado pela brisa!

E o rio? Hoje o Douro respira uma tranquilidade pesada…. Faltam-lhe as gentes coloridas que caminham com ele a passos diferentes, as crianças que chilreiam e enchem o jardim, falta-lhe o som de uma viola e a azáfama dos pescadores que contam histórias para passar o tempo! Apenas um céu escuro que se derrama contra a cidade se mistura com a água lamacenta que corre célere… os passos que se ouvem, săo de fuga para os aconchegos….

E eu continuo de frente para o rio….alheada da cidade, alheada da vida, alheada de quase tudo, nesta imensa năo vontade….ao longe apenas pressinto os passos pouco apressados, săo de velhos que caminham, levando na algibeira o lenço das doenças, e nas măos as histórias de uma vida agarrada a uma bengala… eles passam como se o tempo năo tivesse pressa, mas o tempo leva-nos …leva-nos a vida e a alma… queria tanto chegar aquelas măos e abraça-las… e deixar que os meus ouvidos se deleitassem com histórias de tempos que já năo săo meus… de tempos menos bons e que deixaram testemunhos em cada ruga, em cada cabelo branco…… mas continuo estática de mim…. Sombra que o vento abana e arrefece, mas quase sombra sem vida…. As lágrimas hoje deixaram de ser lágrimas e foram chuva……

….enfim, este foi só mais um dia cinzento!

Saudade

(O beijo - Gustav Klint)

... Ontem à noite embrulhei a saudade em manto tecido a pontos de luz e silêncios, macio como o toque dos amantes....... Para me aquecer nas noites frias de ti....

Quarta-feira, Outubro 11, 2006

Uma noite destas...


Uma noite destas, em que os fios da lua se emaranhavam com as estrelas, e me fizeste percorrer esquinas para te alcançar, numa cruzada vertiginosa contra os medos que me escorriam da pele, vestiste-me de carinhos….

Uma noite destas, ofereceste-me uma prenda em papel de embrulho sem cor, toda ela direitinha, e eu quis-te dar a minha pele, para que a amarrotasses e desembrulhasses em cores fortes e com dedos feitos garras, porque nessa noite vestiste-me de afectos….

Uma noite destas, esperei pelas tuas palavras….elas tardavam em silêncios feridos, magoados, secos…numa revolta que te varria a alma, e nessa noite vestiste-me de lágrimas….

Uma noite destas, percebi que me fazes falta, e vesti-me de luto pela saudade!