Vale encantado

Hoje apeteceu-me...
Revisitar Oswaldo é sempre bom, revisitar o "vale encantado" é adormecer a saudade!
"Cachoeiras de hortelã folhas,
rosa por trás águias negras,
cães azuis árvores lilás
ninfas guardam sonhos,
guardiãs imortais
no Vale Encantado
quem sorrir bebe o vinho da paz
Mares de safira e
luz arco-íris no olhar
barco branco que conduz
quem quiser cantar
vaga-lumes amarelos
dançam no ar
no Vale Encantado
quem sorrir
bebe a luz do luar
Ventos de cereja e sons
de risada de irmão
mil estrelas de bombons
frutas de perdão
hálito de oásis,
flor de afago no chão
no Vale Encantado
quem sorrir
pega o céu com a mão"

2 Comments:
"...vaga-lumes amarelos dançam no ar no Vale Encantado..."
Não são pirilampos verdes... ou mesmo azuis...
mas foi a "Fada Azul", com "...a solidão do poeta, a paixão da chuva tardia, escultora da linha recta..." que me levaram para Pasárgada.
Acho que se enganaram lá na agência e mandaram-me foi para Azárdaga.
E aqui fica para a mortalha da saudade...
"Ó pedaço de mim!
Ó metade afastada de mim!
Leva o teu olhar,
que a saudade é o pior tormento,
É pior do que o esquecimento,
É pior do que se entrevar...
Ó pedaço de mim!
Ó metade exilada de mim!
Leva os teus sinais,
que a saudade dói como um barco
que aos poucos descreve um arco
e evita atracar no cais.
Ó pedaço de mim!
Ó metade arrancada de mim!
leva o vulto teu
que a saudade é o revés de um parto
a saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu
Ó pedaço de mim!
Ó metade amputada de mim!
Leva o que há de ti,
que a saudade dói latejada...
É assim como uma fisgada no membro que já perdi.
Ó pedaço de mim!
Ó metade adorada de mim!
Lava os olhos meus,
que a saudade é o pior castigo
e eu não quero levar comigo...
a mortalha do amor,
Adeus!"
Chico Buarque
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