sábado, outubro 28, 2006
segunda-feira, outubro 23, 2006
Vale encantado

Hoje apeteceu-me...
Revisitar Oswaldo é sempre bom, revisitar o "vale encantado" é adormecer a saudade!
"Cachoeiras de hortelã folhas,
rosa por trás águias negras,
cães azuis árvores lilás
ninfas guardam sonhos,
guardiãs imortais
no Vale Encantado
quem sorrir bebe o vinho da paz
Mares de safira e
luz arco-íris no olhar
barco branco que conduz
quem quiser cantar
vaga-lumes amarelos
dançam no ar
no Vale Encantado
quem sorrir
bebe a luz do luar
Ventos de cereja e sons
de risada de irmão
mil estrelas de bombons
frutas de perdão
hálito de oásis,
flor de afago no chão
no Vale Encantado
quem sorrir
pega o céu com a mão"
Shakesbeer
Rs, diz lá que foi "inocente" a escolha do amarelo?
Depois de um dia atulhada em trânsito, chuva, e a aturar um "alucinado" já quase consigo conjugar o verbo "curricularizar".....
Queria "despir-me" deste cansaço que se teima em me agarrar.... queria escrever qualquer coisa, mas o único reflexo decente que obtive foi de "lixo"..... (há que saber quando devemos desistir...rss)
...e sabes que mais? Vou mesmo na goiabada com banana, já que não há caracois nem pipis decentes!...
Uma "Shakesbeer" à nossa ?
Cheers....
domingo, outubro 22, 2006
sábado, outubro 21, 2006
Lá, onde eu fui feliz...

Fomos cúmplices e amantes….
Fomos barco e navegantes!
Fomos noites sem dormir…
Fomos vontade de partir!
Fomos esperas silenciosas…
Fomos mentiras piedosas!
Fomos gritos que se emudeceram…
Em dias que se entardeceram!
Fomos noites e beijos…
Abraços e desejos!
Fomos rio e mar….
Fomos “perder” e “encontrar”
Fui medo de tempestade
Que o teu peito amparou
E o teu abraço aqueceu…
Foste sede do meu corpo
Em noites de saudade
E onde a distância doeu!
E num Abril de memórias,
Lá… onde o mar se diz….
E a terra nos conta histórias,
Lá…. eu fui feliz…
Fomos barco e navegantes!
Fomos noites sem dormir…
Fomos vontade de partir!
Fomos esperas silenciosas…
Fomos mentiras piedosas!
Fomos gritos que se emudeceram…
Em dias que se entardeceram!
Fomos noites e beijos…
Abraços e desejos!
Fomos rio e mar….
Fomos “perder” e “encontrar”
Fui medo de tempestade
Que o teu peito amparou
E o teu abraço aqueceu…
Foste sede do meu corpo
Em noites de saudade
E onde a distância doeu!
E num Abril de memórias,
Lá… onde o mar se diz….
E a terra nos conta histórias,
Lá…. eu fui feliz…
terça-feira, outubro 17, 2006
Cântico Negro
Um poema que me toca sempre como as sombras frias e doridas das madrugadas mal dormidas....
"Vem por aqui" --- dizem-me alguns com olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom se eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui"!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
--- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe.
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Por que me repetis: "vem por aqui"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis machados, ferramentas, e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
--- Sei que não vou por aí.
José Régio
Virar de página

Virou costas e saiu sem olhar para trás! Sem carregar lembranças, virou a esquina e partiu rumo ao nada ... Porém, de coração aliviado.
Rasgara muitas páginas de uma vez, e agora, precisava de escrever coisas novas... coisas que ainda não tinha escrito…. Um novo desafio que não sabia como, mas não importava...bastava-lhe simplesmente, uma folha em branco!
....sem cinzas nem chuvas....nem águas frias a fustiguem o rosto...só quer que o sol lhe aqueça a alma ..e que a arrepie a cada amanhecer, e a cada entardecer.... porque há sempre um sol que a toca, em cada olhar que passa por ela!
Rasgara muitas páginas de uma vez, e agora, precisava de escrever coisas novas... coisas que ainda não tinha escrito…. Um novo desafio que não sabia como, mas não importava...bastava-lhe simplesmente, uma folha em branco!
....sem cinzas nem chuvas....nem águas frias a fustiguem o rosto...só quer que o sol lhe aqueça a alma ..e que a arrepie a cada amanhecer, e a cada entardecer.... porque há sempre um sol que a toca, em cada olhar que passa por ela!
segunda-feira, outubro 16, 2006
Abraço
Hoje apeteceu-me desenhar um abraço, com traços fortes e cores vivas, porque me apetecia aquecer-me de ti, da noite fria, do dia com cheiro de chuva, queria o calor da tua alma na maciez da ternura que te acende o olhar…
Hoje queria adormecer do cansaço de guerras que nos desgastam, dos ódios e rancores sem razões aparentes… para acordar no teu colo quente e aconchegante de carícias!
… mas extenuada e exangue, não me restam que silêncios doridos e magoados, silêncios em gritos mudos, que garras invisíveis estrangulam, sufocando lentamente…. silêncios que me amarram as entranhas e me deixam estática de vida….
Hoje morro um pouco mais, de ti e de mim, de nós… da vida que nos passa….
…e mergulho no abismo, na ânsia de me embriagar, revisito Schiele ao som de um tango, e ando sem destino e sem mapa, pelas ruas sem nome desta cidade sem gente, onde as lágrimas se fundem com a chuva que cai, para desenhar o lugar vazio do abraço que nos falta…
Ensinamentos
(Para um mestre outro mestre...a imagem é de Leonardo, o Da Vinci)... Ahhhh como eu gostaria de ter escrito um texto tão belo e tão simples!...Mas não, tinha de ter sido o Shakespeare, mas ele aqui fica, com a devida vénia!
"- Depois de algum tempo aprendes a diferença, a subtil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma.
- E aprendes que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança.
- E começas a aprender que beijos não são contratos, e presentes não são promessas. (...)
- E não importa o quão boa seja uma pessoa, ela vai ferir-te de vez em quando e precisas perdoá-la por isso.
- Aprendes que falar pode aliviar dores emocionais.
- Descobres que se leva anos para se construir confiança e apenas segundos para destrui-la, e que podes fazer coisas num instante, das quais te arrependerás pelo resto da vida.
- Aprendes que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias.
- E o que importa não é o que tu tens na vida, mas quem tens na vida.(...)
- Descobres que as pessoas com quem mais te importas na vida, são tiradas de ti muito depressa; por isso, sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas; pode ser a última vez que as vemos.
- Aprendes que paciência requer muita prática. (...)
- Aprendes que quando estás com raiva tens o direito de estar com raiva, mas isso não dá o direito de seres cruel.
- Aprendes que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém.Algumas vezes, tens que aprender a perdoar-te a ti mesmo.
- Aprendes que com a mesma severidade com que julgas, tu serás em algum momento, condenado.
- Aprendes que não importa em quantos pedaços teu coração foi partido, o mundo não pára para que o consertes.
- E, finalmente, aprendes que o tempo, não é algo que possa voltar para trás. Portanto, planta o teu jardim e decora a tua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores.
- E percebes que realmente podes suportar... que realmente és forte, e que podes ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais.
....... E que realmente a vida tem valor, e que tu tens valor diante da vida! E só nos faz perder tudo de bom que poderíamos conquistar, o medo de tentar!"
Shakespeare
sábado, outubro 14, 2006
Magia
Visto-me…Dos desejos que não contenho…
Dos segredos que te escondo…
Dos silêncios que te ofereço…
Das tuas mãos silenciosas que me buscam a medo… e que se retraem a cada avanço inseguro!
Desnudo-me…
Das palavras que se soltam…
Dos sonhos que não te pinto….
Das noites brancas de silêncios doridos…
Da doçura que me derramas na pele …… e que me embriagam os sentidos!
…Há quem lhe chame amor, eu só quero chamar-lhe …magia!
Adivinha-me...

…Adivinha-me arrepio, a soltar amarras, a ser barco e maré, ser onda e espuma … escorregar-te na pele, ser a seda fria no teu corpo quente. Pudesse eu dar-te asas…. ser prazer, ardor, arder, atar, fundir, amassar, arrepiar, doer, morder, libertar, soltar.... a vida, o espírito, o corpo...chorar, sofrer, ser desejo e acreditar.. que a tua pele e a minha se misturam num sabor de loucura…tão insana quanto o são estas palavras!
...Sei que vou fazer a mala e esquecer-me dela, e partir apenas embrulhada no teu desejo....
sexta-feira, outubro 13, 2006
Um homem doce

O dia amanheceu cinzento…. Morno, abafado, e cinzento chuvoso! Cheira a terra molhada, a gotas nos beirais, na cozinha o cheiro do café e das torradas é uma nota de aconchego… é a promessa de mais um dia mergulhada num livro…mais um dia de férias numa contagem decrescente!
Sabes, existem dias de cores diferentes…uns mais amarelos, outros mais azuis….. pessoalmente, prefiro aqueles com finais de rosa e violeta, que se emaranham lá no horizonte a tocar o mar….. sou capaz de ficar imersa neles, até a noite me envolver…. Mas hoje o dia foi cinzento e rasgado de chuva… săo tantas as cores dos desenhos, e tantos os mundos que temos na măo! Mas hoje năo…definitivamente năo!
Hoje vejo-me parte de um reino cinzento, com uma chuva morna e que se derrama dolente no casario de pedra comida já pelo tempo e pela poluiçăo… e no mar! Hoje o mar veio buscar o rio de uma forma abrupta…com ganas e fúrias… hoje o mar conta histórias tristes de navios e homens, e de viagens sem regressos….. hoje, sentada na esplanada, năo tive a carícia de um sol amaciado pela brisa!
E o rio? Hoje o Douro respira uma tranquilidade pesada…. Faltam-lhe as gentes coloridas que caminham com ele a passos diferentes, as crianças que chilreiam e enchem o jardim, falta-lhe o som de uma viola e a azáfama dos pescadores que contam histórias para passar o tempo! Apenas um céu escuro que se derrama contra a cidade se mistura com a água lamacenta que corre célere… os passos que se ouvem, săo de fuga para os aconchegos….
E eu continuo de frente para o rio….alheada da cidade, alheada da vida, alheada de quase tudo, nesta imensa năo vontade….ao longe apenas pressinto os passos pouco apressados, săo de velhos que caminham, levando na algibeira o lenço das doenças, e nas măos as histórias de uma vida agarrada a uma bengala… eles passam como se o tempo năo tivesse pressa, mas o tempo leva-nos …leva-nos a vida e a alma… queria tanto chegar aquelas măos e abraça-las… e deixar que os meus ouvidos se deleitassem com histórias de tempos que já năo săo meus… de tempos menos bons e que deixaram testemunhos em cada ruga, em cada cabelo branco…… mas continuo estática de mim…. Sombra que o vento abana e arrefece, mas quase sombra sem vida…. As lágrimas hoje deixaram de ser lágrimas e foram chuva……
….enfim, este foi só mais um dia cinzento!
quarta-feira, outubro 11, 2006
Uma noite destas...

Uma noite destas, em que os fios da lua se emaranhavam com as estrelas, e me fizeste percorrer esquinas para te alcançar, numa cruzada vertiginosa contra os medos que me escorriam da pele, vestiste-me de carinhos….
Uma noite destas, ofereceste-me uma prenda em papel de embrulho sem cor, toda ela direitinha, e eu quis-te dar a minha pele, para que a amarrotasses e desembrulhasses em cores fortes e com dedos feitos garras, porque nessa noite vestiste-me de afectos….
Uma noite destas, esperei pelas tuas palavras….elas tardavam em silêncios feridos, magoados, secos…numa revolta que te varria a alma, e nessa noite vestiste-me de lágrimas….
Uma noite destas, percebi que me fazes falta, e vesti-me de luto pela saudade!








